terça-feira, 21 de abril de 2009

Caminhos de rio

"Esse rio é minha rua, minha e tua mururé,
piso no peito da lua, deito no chão da maré.
Pois é, pois é, eu não sou de igarapé, quem montou na cobra grande, não se escancha em puraquê.
Rio abaixo, rio acima, minha sina cana é, só em falá da mardita me alembrei de Abaeté.
Me arresponde bôto preto que te deu esse pixé
foi limo de maresia ou inhaca de mulhé."



Música: "Esse Rio é Minha Rua" de Paulo André e Ruy Barata, poetas e músicos paraenses.
Imagem: PARATUR - Companhia Paraense de Turismo

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Redes

"A família, a vizinhança e os grupos de amizade, longe se serem sobrevivências fadadas ao desaparecimento em função da lógica racional e impessoal da sociedade urbana, atualizam-se como relações-suporte às estratégias de sobrevivência do indivíduo ..." (DOIMO, 1992: p. 284).

Ainda que resignificadas, com outros elementos e nomenclaturas, nossas redes parentais, espaciais, de afinidades e afetos nos remetem a um mundo que nos é familiar, nos dando sentido e direção. Coesão.
São elas que, agindo incessantemente, ligam-nos e nos mantêem conectados (peer-to-peer).
Precisamos dessas redes, como suporte identitário e afetivo.
Viver sem elas significaria o caos e o vazio.
Referência Bibliográfica:
DOIMO, Ana Maria. Igreja e Movimentos Sociais. In: SANCHIS, Pierre (org.). Catolicismo: cotidiano e movimentos. ISER. São Paulo: Edições Loyola, 19992.

Zona Vermelha

Ainda hoje caminho pelas ruas do meu bairro. Mas não mais é o caminhar sossegado e prazeroso de outrora. Nem para mim, nem para a maioria. Mudou de cor.
Do início que recordo tudo era verde – de inicial, primevo.
Hoje, muitos anos idos, ainda a lama, os esgotos a céu aberto, as construções descuidadas e os mesmos meninos e meninas pés-descalços a brincar nas poças – marrom e cinza predominam.
Ainda que sempre tenha sido um bairro eivado de pobrezas – tradicional nas periferias de Belém – tudo está mudado! E as mudanças presenciadas hoje se revelam para além das ausências sentidas dos serviços e equipamentos urbanos necessários à comodidade ou, minimante, à reprodução de sujeitos e coletividades saudáveis em uma metrópole.
Foi-se embora a cordialidade, a intimidade, a conversa amigável, os encontros nas esquinas e portas de casas. O corrente é um pronto atendimento ao velado toque de recolher imposto aos cidadãos deste lugar. Retirar-se. Esconder-se. Apartar-se. Instalou-se o branco (de vazio).
O que vejo agora atormenta ainda mais pois que, não precisando de palavras, está nos olhares cansados e temerosos de quase todos os passantes. Ou ainda que hajam conversas, são reclusas, miúdas, repisadas e limitadas às soleiras que limitam o espaço a que nos confinamos cada vez mais, dia-a-dia.
Nossa Zona ficou "vermelha" - na definição do mapeamento estudado e proposto pelas autoridades de segurança pública.
É preciso resistir...

Além, lá

Não preciso que digam onde devo ir.
Não quero ouvir que já vi demais, que já andei ao longe.
Quero inda mais além. Além-mar. Além-de-tudo (e apesar de).

sábado, 18 de abril de 2009

Reinauguração

Hoje reinauguro o blog.
Começa uma nova fase, com diferenças desde perfil, lay-out e formas das postagens.

Podia ser que alguém perguntasse: Mas por quê!!? Não estava bom? Por que agora, e não depois? etc.
Ao que eu respoderia que acredito que precisemos nos rienventar, resignificar, renascer, sempre, a toda hora, de alguma forma.
Nem sempre dá certo .... bem verdade!

Quem viver verá ...